É possível produzir hidropônicos com baixo impacto ambiental?

 
É possível produzir hidropônicos com baixo impacto ambiental?
 
 
Essa é uma das perguntas que mais recebo!
 
Participando de algumas dezenas de grupos de produtores, noto que há qualquer dificuldade, seja por doença ou praga, logo se busca um defensivo (agrotóxico) para a solução... Observo que metade das injúrias observadas, nas plantas, SÃO RESULTADO DE DEFICIÊNCIAS NUTRICIONAIS. e não provocadas por doenças ou pragas!!!!! O produtor em seu geral não sabe determinar se o problema que a planta passa é resultado de ataque de insetos, doenças ou deficiências. E acaba usando muito agrotóxico e com baixo ou nenhum resultado .
 
A deficiência nutricional é a última causa apontada!!! Seja porque confia na orientação recebida, ou porque ela já deu certo por um tempo....
 
Todos querem produção orgânica! Essa denominação é usada para designar um sistema não convencional de cultivo, baseado em princípios ecológicos. A produção orgânica é um sistema comprometido com a saúde, a ética e a cidadania do ser humano, visando contribuir para a preservação da vida e da natureza. E que busca utilizar de forma racional os recursos naturais, empregando métodos de cultivos tradicionais e as mais recentes tecnologias. O que todo produtor procura.  Com o conhecimento que se tem hoje em dia é possível produzir hidropônicos sem o uso de defensivos, que não sejam orgânicos.
A produção hidropônica não pode ser enquadrada ou receber o selo de orgânico. Porque a produção orgânica tem de ser feita em solo e não pode utilizar algumas fontes de nutrientes industrializados. Não pode receber o selo por uma questão de norma técnica. 
 
Mas isso não impede que seja produzida sem defensivos e com resíduo zero!
 
O que é resíduo zero? 
 
Toda a produção agrícola gera resíduos, basicamente, as atividades de produção geram resíduos, por exemplo: sacos de fertilizantes, restos de solução nutritiva, adubos, restos de colheita,  restos vegetais de podas e manejos, embalagens usadas, substrato descartado, mudas desperdiçadas... 
 
Para alguns a solução é simples, para outros precisa de maior empenho, mas todos esses resíduos, quando mal destinados, provocam dano ambiental. E você só via o dano provocado por agrotóxicos? No final do texto vou explicar como dar bom destino a esses resíduos. 
 
Produzir sem defensivos
 
Existe um sentimento que todo o problema pode ser resolvido com algum defensivo. Ledo engano! Fato é que a maioria dos problemas é gerado por desequilíbrio nutricional e ambientes de produção mal dimensionados. Planta mal nutrida é suscetível a todo o tipo de doença e ainda atrai mais insetos. O ambiente em que produzimos(estufa) deveria ser um escudo para os problemas, muitas vezes é uma fábrica deles!
 
Vamos quebrar alguns paradigmas:
 
Primeiro, a planta não “cura de pisado”.  Quando uma folha tem algum dano provocado por injúria de inseto, deformação nutricional e lesão, sinais ou sintomas de doenças, essa folha não será curada com nossas ações. As novas folhas sim, caso o problema seja interrompido. O dano que já foi gerado não tem volta. E isso é muito importante, porque, se você trabalha com folhas: alface, rúcula,... as folhas são seu produto de venda, qualquer lesão tira a qualidade do produto. Então um bom controle nutricional e alguma ação preventiva é importante.
 
Segundo, a necessidade da  planta pode mudar ao longo do ciclo, seja do ano ou da fase produtiva. Vejamos, no caso do alface, existe a necessidade de alterações na nutrição entre inverno e verão, para regiões onde o comprimento do dia e variação da temperatura são grandes. No verão um pouco menos de nitrogênio e mais potássio e cálcio que no inverno. No caso do tomate, na fase produtiva uma elevação da concentração de nutrientes (elevação da condutividade) e aumento da quantidade de potássio em relação a nitrogênio, mais um suplemento de boro e cálcio para o fruto é aconselhável.
 
Terceiro, todos começam com alguma formulação que apresenta um resultado, mas a pressão da produção força o produtor a procura de uma solução milagrosa que acelere! O caso é que o desenvolvimento vegetal não é métrica! Todo o momento encontro vendedores e supostos produtores, dizendo que produzem tanto e tanto.... A produção vegetal é resultado de múltiplos fatores: qualidade da luz, comprimento do dia, temperatura máxima e mínima no ambiente produtivo, diferença entre a temperatura do dia e da noite, variação da umidade do ar, equilíbrio e evolução da nutrição. Ou você tem compreensão desses fatores ou seu resultado é sorte.
 
Quarto, as diversas fontes de nutrientes não são iguais, sejam em porcentagem de nutrientes ou em sua disponibilidade ou ainda na sua interação entre eles. Portanto você pode estar indo bem, daí do nada troca um adubo, ou ele está aberto há muito tempo e venceu, tudo muda! Você não se dá conta e começam os problemas que na maioria das vezes é atribuído a doenças ou outra causa e não a nutrição.
 
Quero uma planta sem defensivos!
 
Primeiro passo conhecer as condições que minha planta precisa para um bom desenvolvimento, exemplo: a temperatura média mensal mais indicada para o bom desenvolvimento e boa produção de algumas variedades de alface é de 15 a 18°C, com máximo de 21 a 24°C e mínimo de 7°C; então é uma boa variedade para plantio na primavera, outono e inverno, mas não é boa para o verão. E tenho de estar atento para que minha estufa possa oferecer essa condição, mesmo que em alguns momentos passe disso, mas na maioria fique nestes intervalos.
 
Tenho que conhecer o ciclo, usando o exemplo acima: o tempo de produção é de 37 a 42 dias. Se não estou produzindo neste tempo é porque? Minha nutrição está certa? Meu plástico da estufa está sujo e a luz que passa é pouca? Tive muitos dias nublados nesse ciclo? Preciso encontrar as respostas.
 
Tenho de conhecer as pragas e doenças que atacam minha cultura em cada época do ano e conhecer como se comporta, exemplo, no inverno tenho problemas de míldio(Bremia lactucae) no alface, também conhecido como mofo branco, sob condições de alta umidade e temperaturas entre 12 e 20 ºC, a doença ocorre nas folhas afetando drasticamente a produção, a qualidade e o valor do produto colhido. Sabendo disso uma ação preventiva, com algum produto à base de cobre ou enxofre, produto orgânico seria uma boa pedida. A aplicação de fosfito de potássio foliar também, o uso de silicato de potássio na solução para fortalecer a folha é uma boa idéia. Conhecer as doenças da cultura é importante, veja temos o oídio (Erysiphe cichoracearum), que para desavisados pode ser confundido com o míldio, tem aparência similar em alguns aspectos, mas aparece em condições ambientais diferentes.
 
Para insetos tenho que criar barreiras razoáveis, telas, iscas, ou vou ter de usar defensivos. 
O caminho é buscar suporte técnico e profissional, fazer curso e procurar literatura de qualidade. A resposta rápida dos grupos de whatsapp tem levado muitos ao fracasso. 
 
Oferecemos regularmente curso de formação para produtores e leigos, nossos cursos misturam teoria e prática, em nossa estufa escola na cidade de Cachoeirinha no Rio Grande do Sul. Já ministramos cursos desde 2012 e já treinamos mais de 900 alunos dos mais diversos estados do Brasil e de outros países.  Desenvolvemos sistemas de cultivo em hidroponia e semi hidroponia: “ Bancada individual com reposição de água contínua"  e “Produção de tomates, pimentões e morango em calhas com sistema fechado”.
 
Procure aqui em nosso site que vai encontrar conteúdos sobre esses temas.
Adriano Delazeri
 
 
Como prometi segue como proceder sobre os resíduos:
 
Sacos de fertilizantes e embalagens usadas: Recolher e enviar para a reciclagem.
 
Restos de solução nutritiva: Usar em gramados, lavouras e pomares, as plantas vão agradecer.
 
Adubos: Armazenar bem longe de umidade, que pode usar até o fim.
 
Restos de colheita, restos vegetais de podas e manejos, mudas desperdiçadas: Fazer compostagem e aplicar em lavouras e pomares. 
 
Substrato usado: passar ele no picador, aplicar produto a base de Trichoderma que é um fungo habitante de solo que está presente tanto em regiões de clima temperado quanto tropical, e usar novamente não precisa descartar. Este fungo parasita outros fungos que representam ameaça para diferentes espécies de plantas e é aliado no controle biológico de doenças.
 
 
 

 

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